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Setor social reclama mudanças que garantam estabilidade económica

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As instituições de solidariedade social devem introduzir rapidamente diversas mudanças para alcançar estabilidade económica e garantir o seu “futuro”, de modo a corrigir um quadro negro em que 60% destas organizações se encontram em ruptura financeira, apresentando prejuízos crónicos. O alerta foi dado por diversos dirigentes do setor social reunidos na conferência “O Nosso Apoio Social”, organizada pelo Jornal do Centro e pela Santa Casa da Misericórdia de Lamego, que juntou mais de 80 especialistas e dirigentes que olharam o presente e o futuro deste setor na região.

Setor social reclama mudanças que garantam estabilidade económica

A realidade mostra que as IPSS dependem economicamente dos acordos estabelecidos com a Segurança Social, uma dependência agravada pelo facto de que estes contratos não têm sido revistos do ponto de vista financeiro. António Marques Luís, Provedor da Misericórdia de Lamego, deu a receita que poderá modificar o panorama atual: “Temos de introduzir maior rigor na gestão, perseguindo mais eficiência na gestão dos recursos; introduzir mais competência, atraindo quadros técnicos qualificados; e alterar o pilar da nossa missão, criando novos tipos de equipamentos, adaptados a uma população cada vez mais envelhecida e com uma elevada taxa de doenças crónicas”.

Ao seu lado, Adelino Costa, Provedor da Misericórdia de Viseu, partilhou destas preocupações e declarou que uma instituição sem sustentabilidade “terá uma dificuldade terrível de praticar o social”, chamando a atenção que também persiste um problema de “paz social”, devido aos baixos salários. Ao concluir a sua intervenção, Marques Luís defendeu que o poder local e o poder central devem contribuir para mobilizar recursos e estimular a complementaridade dos equipamentos, evitando uma luta desenfreada pela captação de utentes e “a consequente degradação da qualidade”. Presente na sessão de abertura, o Vice-Presidente da Câmara de Lamego, António Alves da Silva, sublinhou que os municípios “pela sua proximidade, conhecimento das populações e envolvimento direto com as mesmas fazem com que estes problemas possam ter uma análise e resposta mais célere”.

Para além das reflexões dos provedores de Lamego e Viseu, a assistência que lotou por completo o Salão Nobre do Teatro Ribeiro Conceição escutou os testemunhos sobre “A Diferença no Apoio Social” da Artenave e da Assol, associações de solidariedade de Moimenta da Beira e de Lafões. A sessão de encerramento foi presidida por Rui Fiolhais, presidente do Conselho Diretivo do Instituto de Segurança Social.

Os oradores foram unânimes em destacar a importância do setor social, um peso que tende a crescer devido a uma população cada vez mais envelhecida e doente. Neste momento, a economia social representa 3% do PIB e 6% do emprego e tem um forte efeito multiplicador na economia, chegando a ser o maior fator de coesão social do território, estendendo-se os equipamentos para crianças e idosos por 70% das freguesias. Só em Lamego, dezanove instituições dão resposta social à população dependente: infância, terceira idade e deficiência. Um número apenas superado no distrito pelos concelhos de Viseu e Tondela.

Fonte: www.facebook.com/Santa-Casa-da-Misericórdia-de-Lamego-988666561192365

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