Conferências do Museu de Lamego assinalam 100 anos do Motim de Lamego

Nos 100 anos do Motim de Lamego, o Museu de Lamego antecipa as suas Conferências e no próximo dia 20 de julho discute os “Movimentos Políticos e Sociais no Douro, entre o Liberalismo e a Democracia”. Na terceira edição, as Conferências do Museu de Lamego/CITCEM voltam a assumir-se como um espaço anual de debate, partilha e divulgação da atividade científica desenvolvida em torno do território duriense, com especial enfoque na área das ciências sociais e humanas. No dia 20 de julho de 1915, o povo das aldeias de Cambres, Valdigem, Sande, Parada do Bispo e Figueira dirigiu-se à cidade de Lamego. Cerca de cinco mil pessoas manifestavam-se frente à Câmara quando foram atacadas por bombas e tiros. Doze mortos e vinte feridos foi o balanço daquele que ficou conhecido como o “Motim de Lamego”. A Câmara de Lamego e a Guarda apressaram-se a descartar culpas, acusando o povo de ter provocado as forças militares. Esta seria a versão oficial dos acontecimentos, mas a percepção popular seria muito diferente. A manifestação foi vista como um gesto heroico e os mortos tidos como mártires na defesa dos durienses em luta contra a miséria e contra a concorrência desleal. Serão estas movimentações, o seus contextos sociais e políticos, que estarão em debate nas 3as Conferências do Museu de Lamego que, mais uma vez, volta contar com a colaboração do Centro de Investigação Transdisciplinar Cultura, Espaço e Memória (CITCEM), da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, centro que reúne o maior número de investigadores académicos que na atualidade desenvolvem o seu trabalho sobre a região duriense. Em 2015 as conferências contam ainda com a presença de Shawn Parkhurst, professor da Universidade de Louisville (EUA), antropólogo e um dos maiores especialistas da área a quem caberá a conferência de abertura, com a comunicação “A revolta do Douro de 1915, entre a Literatura, a História e a Antropologia”. Ao longo de todo o dia, e cem anos depois, no auditório do Museu de Lamego será recordado o Motim de Lamego e todos os movimentos políticos e sociais no Douro que lhe deram origem. Mais uma vez, nesta edição, o Museu assume o Turismo Cultural como uma das opções estratégicas para a região, sendo por isso necessário que o Douro possua uma intensa atividade de investigação científica, que lhe permita suportar, material ou imaterialmente, o conhecimento profundo do território, dos seus imóveis e sítios históricos, das suas tradições, utilizando-a a seu favor da dinamização desse turismo. Continua por isso a ser um desafio para o Museu de Lamego assumir-se como uma plataforma de divulgação, promovendo a partilha de conhecimento e alargando-a, logo de seguida, a todo o Douro, através da publicação online, de acesso livre, das Atas das Conferências. Em 2013 dedicadas ao tema “História e Património no/do Douro” e em 2014 concentradas nas “Quintas do Douro”, as 3as Conferências do Museu de Lamego/CITCEM prometem nesta edição, excecionalmente antecipadas para o dia 20 de julho, exatamente no dia em que o Motim de Lamego aconteceu, repetir o sucesso das anteriores. As inscrições estão abertas até ao próximo dia 13 de julho e podem ser feitas em http://bit.ly/conferencias2015   PROGRAMA 09h30: receção dos conferencistas e participantes 10h00: cerimónia de abertura 10h30: pausa para café 11h00: Conferência de abertura: Shawn Parkhurst (Universidade de Louisville) A revolta do Douro de 1915, entre a Literatura, a História e a Antropologia 11h45: mesa redonda: MOVIMENTOS POLÍTICOS E SOCIAIS NO DOURO, ENTRE O LIBERALISMO E A DEMOCRACIA Moderador: Shawn Parkhurst Otília Lage (CITCEM) — Entre o liberalismo e a democracia: movimentos políticos e sociais no Douro Augusto Macedo (jornalista aposentado; ex-Diretor da Rádio Alto Douro e da RDP-Norte) — O período revolucionário de 1974-1975 no Douro 12h30: debate 13h00: pausa para almoço 15h00: painel 1: REVOLTAS E REVOLUÇÕES NO DOURO OITOCENTISTA Moderador: Gaspar Martins Pereira (CITCEM/FLUP) José Viriato Capela (Universidade do Minho) ― Os levantamentos contra os franceses em 1808. António Monteiro Cardoso (ISCTE) ― A revolução liberal no Douro. Célia Taborda da Silva (Universidade Lusófona) ― A Maria da Fonte no Douro. 16h30: debate 17h00: pausa para café 17h30: painel 2: O MOTIM DE LAMEGO DE 1915 Moderador: Luís Sebastian (Museu de Lamego) Carla Sequeira (CITCEM/FLUP) ― Antão de Carvalho e os motins do Douro de 1914-1915 João Luís Sequeira (Espaço Miguel Torga) ― O motim de Lamego na prosa de Pina de Morais. Gaspar Martins Pereira (CITCEM/FLUP) ― O motim de Lamego, um momento histórico de consagração da denominação de origem «Porto» para os vinhos generosos da Região Demarcada do Douro. 19h00: debate

Fonte: www.museudelamego.pt